30 de março de 2021


Sufocando sem esperança,
parece um redemoinho sem fim.
Fui destruída?
Desmoronei?
O vento chegou e arrastou
dentro de um furacão,
e eu fico girando dia após dia,
rodando.
Você foi a pior catástrofe ao qual me afundei.
A certeza de que nunca houve nenhum reforço daí.
E que por você eu viraria pó. 

5 de dezembro de 2020


Hoje eu acordei e pensei que meu peito fosse rasgar-se e meu coração fosse a tua procura.

Hoje eu acordei com o peito rasgando, queimando, papocando.

O coração trovejando.

Hoje eu acordei e prendi meu coração dentro do peito.



15 de novembro de 2020

 A quem posso admitir que não estou bem e que não melhoro?

Eles podem me internar...

Podem cortar minha bebida,

Ou pior

Sentir pena.

Eu tenho que esconder a saudade por você. 

Aguenta-la.

Segura-la.

Não suporta-la.

Meu amor virou sigilo, ele prende minha garganta, me faz chorar. Meu amor era uma mentira. Me tira o ar, o chão, me faz querer gritar.

Meu desejo é poder não mais acordar e de ti não lembrar. 


25 de junho de 2020


Assim como nos filmes, eu achei que você iria começar a rasgar o peito numa cena épica, num lugar marcante quem sabe, debaixo da chuva, debaixo da ponte. Mas foi como deve ser, banal e cotidiano. Eu lavando a louça, você limpando o chão. Odeio lavar louça, mas naquele momento odiei mais o que você disse. Foi o cenário perfeito até. Meus pés pesaram e eu quis sumir de algum jeito dali, mas, seria essa, justamente, uma cena típica duma comédia romântica. Ao contrário disso eu fugi pra cá. E é na sétima linha que tento dizer de alguma forma esse nó na garganta. Eu me perdi em você? Me deixei levar? Fui distraída? Qual o momento que pareceu da minha parte ser entretenimento romântico alheio? Sou uma pessoa de diversas algazarras, cachaça no peito com coração de ladeira. Não sou distração ou passatempo. Não há passado e futuro pra isso. Não existe amor que tenha sido folia comigo e tenha saído ileso, inocente, firme. Quer apostar? De novo? Hoje foi um espaço, uma lágrima que nos distanciou, amanhã, são minhas malas no carro.

3 de fevereiro de 2020


Você parece ver beleza na desilusão amorosa, como se fizesse parte do seu enredo indicar esse final. A princípio eu achei que tal comportamento fosse fruto de alguma esperteza, como se você fosse insustentável, arriscado e petulante diante do apego. Mas, logo vi diante da sua trajetória que isso era um disparate, com você mesmo me expondo, mais adiante, nesses mesmo verbetes românticos, o contrário. Eu vi no frescor dos teus olhos verdes a valoração, a abundância, a grande estima por ostentar amor. Acepções que não nos convence dessa sua carreira, que te faz passar ligeiro por irresistível. A gente quer o que não se pode ter, você parece inacessível pra quem te olha de baixo, inalcançável é o que quis dizer. Obviamente que em alguns incidentes, esse palavreado seu se fixa por si mesmo como consequência da própria essência do que te fez enxergar assim. De outro modo, fingindo ou não, seguindo aqui, a minha natureza, meus próprios antagonismos, posso dizer que também apreciei tais posturas tuas porque dá pra ver o charme, a aventura de se conquistar alguém. E foi assim que você se tornou o primeiro episódio em mim: um desafio. E foi assim que eu de cara não coube nos teus prazos. E foi assim que você cometeu seu primeiro erro comigo: me subestimar um tempo. Equívoco que os dois cometeram. Você disse um mês, eu disse três. Nesse momento ambos agiram como iniciantes. Nenhum amante, por mais distraído que fosse, veria essa conversa com inocência. A gente sem perceber planejou em formato de aposta boba um próprio tempo que passou a existir depois desse dia.
É que essas palavras, vistas assim, excedem os arredores do peito, movimentando ondas reveladoras na espera de serem captadas pelos arrepios da exatidão do que você poderia pensar sobre tudo isso. É o que ocorre nas poesias que escrevemos e lemos um para o outro, são frases, desfechos que assomam uma infinidade de interpretações e temperamentos. É uma das abstrações suas das quais eu gosto, a poesia. Foi na paquera mais típica de lugar-comum que meu rosto se entregou. E por mais que até essa linha eu esteja driblando pra te dizer o que já é evidente, eu coleciono outros momentos como entreguista. Como das vezes que acho bonito e atraente você jogando sinuca, olhando com o rabo do olho, sem deixar você notar, bebendo minha cerveja e desviando a concentração para minha mesa de bar. Ou dos filme juntos, e eu acho que você gosta quando chamo sua atenção para as falas e outros detalhes das cenas que as vezes você perde e a gente volta o filme umas três vezes. Há pessoas e palavras que se demonstram mais fáceis de compreensão, e não é esse texto, não sou eu ou você. Como também não faço questão de ser especial ou a escolhida por alguém, sou somente uma estrutura típica contada em língua informal escrita, falada ou lambida. Ou seja, não é do meu interesse provar a validade dessa declaração ou contestá-la, não se precisa aqui de uma concordância parcial, de algum tipo de refutação. Na verdade, somos só um período curto de intensidade dramática.

22 de agosto de 2019


Amar não significa equivalência a uma aparência inflexível, nem sempre é, pode ou deve ser levado à risca, já que os temperamentos e os hábitos implicam ou provam incertezas e incômodos. Logo, pertence às curvas indefinidas dos nossos corpos, da nossa pouca diferença de idade ou da irregularidade da nossa postura curvada que, de frente um pro outro se entorta até a gente se enrolar para sentidos opostos. Como uma lágrima que sem definição, desce da alma sem jeito até o chão. De outro modo, ao correr dos olhos pela pele são infinitas possibilidades do fim de um choro, pode até cair na boca e ser salgado, mas com gosto, ou, só manchar a roupa.
É assim que o sentimento de oposição vai comendo nosso juízo, nos levando a proximidade de um afastamento, por sua vez, há outras vontades do coração. As duas mesmas pessoas, a um só tempo injusto e indeciso, na medida do cabível, montam e desmontam um par dormindo, como também dançando por ai.
A nossa condição é particular porque nunca havia amado antes, e é desgostoso ver você como suspeito no nosso filme exibido em episódios, mantendo omissão do que tínhamos pensado como compromisso. São infelizes seus artifícios desesperados por situações dramáticas, que envolvem o desperdício de qualquer beleza que eu possa enxergar em ti.
Numa madrugada de domingo pra segunda de um dia perdido de março eu estava sua porta pensando até agora ter vivido algo especial, que nosso abraço era de saudade e que meu beijo não era sem querer, mas depois de pensar sobre você com mais clareza que tenho e sou, vi o descuido dessa noite... desse incidente. Realmente preferia ter bebido pra tomar coragem de não ir, ou que sua tentativa de parecer não estar em casa tivesse funcionado.
Se nem eu ou esse texto adiantam, nunca haverá um livro sobre a gente, no máximo variações narrativas, de longe, talvez, um relance na memória.

11 de fevereiro de 2019


Nunca fui de desperdiçar amores, sou de paixões, tenho força do que vem do peito. Estamos vendo assim o peso significativo de uma trajetória que vem sendo desenhada por abstrações e generalizações. Sou espada e escudo se tratando de gostar de alguém, no sentido de que acho bonito até quando não parece dar certo, tenho fé em crer que faz parte do processo, de uma fase ruim. Ligo quase meia noite, e mostro um choro que estava guardado, agonizado de um final. A matéria do enredo é o amor, que, é resultado do sentir exagerado de minha autoria. Acho que a parte azeda de deixar você foi ter a decepção de saber o que você diz em lamúrias sobre mim, foi te ver ir sem dignidade, e não carregar o peso da realidade do que fomos. Entendo que esse seja o jeito mais fácil pra pegar no sono, fingir uma história não verdadeira, mas é uma pena esgotar a chance de se corrigir também. É isso em que constituem os antagonismos de histórias dramáticas. Saudade mata não, mas ser infiel a si é uma corrida pra se arrastar no tempo. Isso ocupa um só coração, e todo o corpo discorre à roda dessa desvantagem: o orgulho no céu da boca de ter alguém louco por você. Eis o preceito motor que um amante principiante deve ter sempre em mente... a de se prender a uma razão inexistente de si. Queria dizer: não acabei com minhas incertezas, isso não dói, dizer que não precisei mentir ano passado ou fingir me reconstruir, foi coragem de permanecer eu. Na verdade isso me fortalece a cada dia que começa, como agora: cinco e quarenta e cinco da manhã, e eu lembrando  de você, e lembro do quanto as fronteiras que cruzei te afligiam, porque apesar de ter uma idade avançada a minha, o futuro parece ter sido pouco caridoso contigo. Nas raras vezes que falo sobre você, ainda vem um sorriso de canto de boca misturado com a pessoa bonita e inteligente que acho que você é. Posso dizer que me libertei. Nada é muro, por isso deixo você se espatifar ainda mais, ao infinito. Olho no passado e não sei precisar o supérfluo, o pouco, mas sintetizar somente as conjunções vibrantes, sintomáticas, que se alinham, como um quadro torto, ao montante da intriga.

17 de dezembro de 2018


Eu sei que a vida não se resume em palavras, alias a vida não se resume de forma alguma. A gente sente e pronto.  Mas também é da nossa natureza teimar, pelo menos a minha você sabe que sim. E apesar do curativo que aperta e esquenta meu coração, me incomoda ter que refaze-lo diariamente, porque sempre que puxo, acaba sangrando. Mas lembro-me que não posso deixar o peito aberto, às vezes até machuco um pouco mais pra você ainda circular em mim. Minha pele em torno do corte resiste em selar qualquer rastro seu, e sem perceber a cada dia vai passando. Não posso dizer que me sinto confortada ou abençoada; longe disso, me vejo desperdiçada. Como se o tempo tivesse sido injusto. Fiquei sem fôlego. Ficamos. Mas quando nossa raiva passar vai restar seu sorriso lindo, nunca havia me encantado por um sorriso antes, sempre vi muito brega a atração por emoções tão óbvias. Julguei ser mais charmoso ser apaixonada pela sua altura, era como subir e chegar ao lugar que era só nosso. Contigo meus dias preferidos sempre foram os domingos, que já chegavam com a saudade da despedida da segunda, tinha gosto forte de aperto. Hoje eu fujo dos domingos, comemoro as segundas. O pessoal de casa ria e chorava com a gente, fomos uma novela agitada. Os momentos viviam dentro, e nós éramos os atores. Porém, de repente você foi saindo de cena e cada passo rasgava um pedaço de mim. Não sei se por infelicidade da maldição que já havia contra nós, eu me acostumei com essa dor. Não conseguia perceber que chegávamos ao final. Ficamos pálidos. Eu estava do outro lado do mundo, vendo anoitecer enquanto ainda tinha sol pra você. Enquanto eu terminava uma garrafa de vinho me perdia ao mesmo tempo. Álcool limpa feridas. Tenho a intuição dolorosa de silêncio. Eu voltei com tantas perguntas de onde você estava e com quem estava? Acreditei valorar tal curiosidade. Mas vi que tais questionamentos só tinham importância à medida que você estava dentro de mim. Agora é meu único desejo continuar ardendo e findando o rastro, que sempre que pulsa, fisga um pouco, mas que acaba assentando. Você vai virando uma cicatriz, fico feliz que nosso amor tenha sido capaz de marcar o tempo e os corpos.

6 de janeiro de 2017

Nunca fui muito de deixar porta e janela abertas, nem fazendo um calor insuportável, talvez seja mais uma maneira de tentar me proteger do que tem lá fora. Faz um tempo que isso mudou e parece que quanto mais as portas e janelas fiquem abertas e eu te convide pra entrar, mais longe você vai. Eu ainda não consigo dizer o quanto triste estou. Sem querer querendo fico pensando que talvez exista algum tipo de arrependimento, e vamos acordar juntos de novo. Mas essa dor silenciosa me assusta, a maneira sincera que pegou tudo e saiu correndo de nós me dá agonia. Esse texto... Como eu não queria está escrevendo-o. Quem sabe amanhã ou depois eu pare de pensar nessas linhas ou você nelas, que pare de olhar o celular achando que possa ter algo, que consiga apagar nossas fotos da pasta que tem nosso apelido como título. Começamos e terminamos no mesmo dia, mas, meu peito ainda está quente e eu quero voltar no tempo. Sei que é muito cedo pra qualquer auto sabotagem, e por isso, se preferes me perder, estou te deixando livre. Ainda não entreguei minha última carta, amor. 
10 de setembro de 2016

Não conheço algo mais irritante do que dar um tempo, para quem pede e para quem recebe. O casal lembra um amontoado de papéis colados. Papéis presos. Tentar desdobrar uma carta molhada é difícil. Ela rasga nos vincos. Tentar sair de um passado sem arranhar é tão difícil quanto. Vai rasgar de qualquer jeito, porque envolve expectativa e uma boa dose de suspense. Os pratos vão quebrar, haverá choro, dor de cotovelo, ciúme, inveja, ódio. É natural explodir. Não é possível arrumar a gravata ou pintar o rosto quando se briga. Não se fica bonito, o rosto incha com ou sem lágrimas. Dar um tempo é se reprimir, supor que se sai e se entra em uma vida com indiferença, sem levar ou deixar algo. Dar um tempo é uma invenção fácil para não sofrer. Mas dar um tempo faz sofrer pois não se diz a verdade.
Dar um tempo é igual a praguejar "desapareça da minha frente". É despejar, escorraçar, dispensar. Não há delicadeza. Aspira ao cinismo. É um jeito educado de faltar com a educação. Dar um tempo não deveria existir porque não se deu a eternidade antes. Quando se dá um tempo é que não há mais tempo para dar, já se gastou o tempo com a possibilidade de um novo romance. Só se dá o tempo para avisar que o tempo acabou. E amor não é consulta, não é terapia, para se controlar o tempo. Quem conta beijos e olha o relógio insistentemente não estava vivo para dar tempo. Deveria dar distância, tempo não. Tempo se consome, se acaba, não é mercadoria, não é corpo. Tempo se esgota, como um pássaro lambe as asas e bebe o ar que sobrou de seu vôo. Qualquer um odeia eufemismo, compaixão, piedade tola. Odeia ser enganado com sinônimos e atenuantes. Odeia ser abafado, sonegado, traído por um termo. Que seja a mais dura palavra, nunca dar um tempo. Dar um tempo é uma ilusão que não será promovida a esperança. Dar um tempo é tirar o tempo. Dar um tempo é fingido. Melhor a clareza do que os modos. Dar um tempo é covardia, para quem não tem coragem de se despedir. Dar um tempo é um tchau que não teve a convicção de um adeus. Dar um tempo não significa nada e é justamente o nada que dói.
Resumir a relação a um ato mecânico dói. Todos dão um tempo e ninguém pretende ser igual a todos nessa hora. Espera-se algo que escape do lugar-comum. Uma frase honesta, autêntica, sublime, ainda que triste. Não se pode dar um tempo, não existe mais coincidência de tempos entre os dois. Dar um tempo é roubar o tempo que foi. Convencionou-se como forma de sair da relação limpo e de banho lavado, sem sinais de violência. Ora, não há maior violência do que dar o tempo. É mandar matar e acreditar que não se sujou as mãos. É compatível em maldade com "quero continuar sendo teu amigo". O que se adia não será cumprido depois.

Fabrício Carpinejar 
31 de agosto de 2016

Eu não sei esperar alguém ir embora de mim, e a opção de não ficar me tranquiliza, é melhor do que ver você sair pelo quarto e ficarmos em cômodos diferentes por descuido ou vontade. O amor é a estrutura mais comum e mais eficaz, consta, sobretudo no que seremos de nós dois e de como pode nos marcar, de uma, duas e, por acaso, de três partes: a introdução, representada na maioria dos casos por momentos de intensa felicidade e êxtase que tem períodos iniciais curtos, em que cada um mostra de maneira resumida a ideia-núcleo (será o que passaremos a chamar daqui em diante de relação), o desenvolvimento, isto é, a narrativa mesma desses dois; e a conclusão, mais inesperada, especialmente nos pontos pouco extensos ou naqueles em que a relação não apresenta maior complexidade. Constituído habitualmente por um, dois e, por acaso, de três partes a ideia-núcleo encerra de modo geral a relação.
A ordem desse modelo é, assim, requerida à coerência; mas não é suficiente. Implora zelar também da transição entre as ideias, da harmonia entre elas. Determinar comportamentos de alguma forma obrigatórios é como fragmentos dos nossos corações. Em momentos difíceis, rezar por intimidades e transições se mostra inevitável para entrosar orações.
Por isso venho pedir para você fazer alguma coisa, porque por algum motivo pelo qual ainda não entendi você está nos desviando. E tal é a importância de você em mim, que na maior parte do tempo o sentido de um chamego, sorriso ou página inteira de você depende. Duas pessoas soltas, isto é, duas expressões independentes e inconstantes quando conseguem juntas afirmarem felicidade, não pode ter fim por algo que não seja mais forte do que o nosso amor.
Logo, inter-relacionados pelos flagrantes do nosso trajeto, essas duas pessoas (nós), passam a constituir de fato uma relação.  Eu não consegui nem traçar linhas retas, também não posso ter que aguentar mais do que devo. Porque a vontade é de voar junto a e não por você. 

Quem sou eu

Minha foto
Clara.Idade: 19.Falar a verdade não careço de muita lógica. Ou de mim se gosta ou esquece. Por gosto mesmo ficava de papo pro ar. Mas o que me faz feliz e apetece é cheiro de vinho, cabelo lavado, de escrever poesia pulando os dias, de frapê e filme iugoslavo. Qualquer dia desses faço feito Santos Dumont e construo minha casa na árvore.
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O que é pior: chegar ao fundo do poço ou continuar caindo?'' -Prá virar cinza minha brasa demora!
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