6 de janeiro de 2017
Nunca
fui muito de deixar porta e janela abertas, nem fazendo um calor insuportável,
talvez seja mais uma maneira de tentar me proteger do que tem lá fora. Faz um
tempo que isso mudou e parece que quanto mais as portas e janelas fiquem
abertas e eu te convide pra entrar, mais longe você vai. Eu ainda não consigo
dizer o quanto triste estou. Sem querer querendo fico pensando que talvez
exista algum tipo de arrependimento, e vamos acordar juntos de novo. Mas essa
dor silenciosa me assusta, a maneira sincera que pegou tudo e saiu correndo de
nós me dá agonia. Esse texto... Como eu não queria está escrevendo-o. Quem sabe
amanhã ou depois eu pare de pensar nessas linhas ou você nelas, que pare de
olhar o celular achando que possa ter algo, que consiga apagar nossas fotos da
pasta que tem nosso apelido como título. Começamos e terminamos no mesmo dia,
mas, meu peito ainda está quente e eu quero voltar no tempo. Sei que é muito
cedo pra qualquer auto sabotagem, e por isso, se preferes me perder, estou te
deixando livre. Ainda não entreguei minha última carta, amor.
10 de setembro de 2016
Não conheço algo mais irritante do que dar um
tempo, para quem pede e para quem recebe. O casal lembra um amontoado de papéis
colados. Papéis presos. Tentar desdobrar uma carta molhada é difícil. Ela rasga
nos vincos. Tentar sair de um passado sem arranhar é tão difícil quanto. Vai
rasgar de qualquer jeito, porque envolve expectativa e uma boa dose de
suspense. Os pratos vão quebrar, haverá choro, dor de cotovelo, ciúme, inveja,
ódio. É natural explodir. Não é possível arrumar a gravata ou pintar o rosto quando
se briga. Não se fica bonito, o rosto incha com ou sem lágrimas. Dar um tempo é
se reprimir, supor que se sai e se entra em uma vida com indiferença, sem levar
ou deixar algo. Dar um tempo é uma invenção fácil para não sofrer. Mas dar um
tempo faz sofrer pois não se diz a verdade.
Dar um tempo é igual a praguejar
"desapareça da minha frente". É despejar, escorraçar, dispensar. Não
há delicadeza. Aspira ao cinismo. É um jeito educado de faltar com a educação.
Dar um tempo não deveria existir porque não se deu a eternidade antes. Quando
se dá um tempo é que não há mais tempo para dar, já se gastou o tempo com a
possibilidade de um novo romance. Só se dá o tempo para avisar que o tempo
acabou. E amor não é consulta, não é terapia, para se controlar o tempo. Quem
conta beijos e olha o relógio insistentemente não estava vivo para dar tempo.
Deveria dar distância, tempo não. Tempo se consome, se acaba, não é mercadoria,
não é corpo. Tempo se esgota, como um pássaro lambe as asas e bebe o ar que
sobrou de seu vôo. Qualquer um odeia eufemismo, compaixão, piedade tola. Odeia
ser enganado com sinônimos e atenuantes. Odeia ser abafado, sonegado, traído
por um termo. Que seja a mais dura palavra, nunca dar um tempo. Dar um tempo é
uma ilusão que não será promovida a esperança. Dar um tempo é tirar o tempo.
Dar um tempo é fingido. Melhor a clareza do que os modos. Dar um tempo é
covardia, para quem não tem coragem de se despedir. Dar um tempo é um tchau que
não teve a convicção de um adeus. Dar um tempo não significa nada e é
justamente o nada que dói.
Resumir a relação a um ato mecânico dói. Todos
dão um tempo e ninguém pretende ser igual a todos nessa hora. Espera-se algo
que escape do lugar-comum. Uma frase honesta, autêntica, sublime, ainda que
triste. Não se pode dar um tempo, não existe mais coincidência de tempos entre
os dois. Dar um tempo é roubar o tempo que foi. Convencionou-se como forma de
sair da relação limpo e de banho lavado, sem sinais de violência. Ora, não há
maior violência do que dar o tempo. É mandar matar e acreditar que não se sujou
as mãos. É compatível em maldade com "quero continuar sendo teu
amigo". O que se adia não será cumprido depois.
Fabrício Carpinejar
31 de agosto de 2016
Eu
não sei esperar alguém ir embora de mim, e a opção de não ficar me tranquiliza,
é melhor do que ver você sair pelo quarto e ficarmos em cômodos diferentes por
descuido ou vontade. O amor é a estrutura mais comum e mais eficaz, consta,
sobretudo no que seremos de nós dois e de como pode nos marcar, de uma, duas e,
por acaso, de três partes: a introdução, representada na maioria dos casos por
momentos de intensa felicidade e êxtase que tem períodos iniciais curtos, em
que cada um mostra de maneira resumida a ideia-núcleo (será o que passaremos a
chamar daqui em diante de relação), o desenvolvimento, isto é, a narrativa
mesma desses dois; e a conclusão, mais inesperada, especialmente nos pontos
pouco extensos ou naqueles em que a relação não apresenta maior complexidade.
Constituído habitualmente por um, dois e, por acaso, de três partes a
ideia-núcleo encerra de modo geral a relação.
A
ordem desse modelo é, assim, requerida à coerência; mas não é suficiente.
Implora zelar também da transição entre as ideias, da harmonia entre elas.
Determinar comportamentos de alguma forma obrigatórios é como fragmentos dos
nossos corações. Em momentos difíceis, rezar por intimidades e transições se
mostra inevitável para entrosar orações.
Por
isso venho pedir para você fazer alguma coisa, porque por algum motivo pelo
qual ainda não entendi você está nos desviando. E tal é a importância de você
em mim, que na maior parte do tempo o sentido de um chamego, sorriso ou página
inteira de você depende. Duas pessoas soltas, isto é, duas expressões
independentes e inconstantes quando conseguem juntas afirmarem felicidade, não
pode ter fim por algo que não seja mais forte do que o nosso amor.
Logo,
inter-relacionados pelos flagrantes do nosso trajeto, essas duas pessoas (nós),
passam a constituir de fato uma relação.
Eu não consegui nem traçar linhas retas, também não posso ter que
aguentar mais do que devo. Porque a vontade é de voar junto a e não por você.
17 de abril de 2016
Num
sentindo intencional eu tenho abuso da maioria das pessoas, porque seletividade
é importante não só para a evolução das espécies, mas para sua sanidade mental.
Lembrando que o dicionário não pode dar todos os significados das palavras, em
virtude dos inúmeros contextos em que aparecem, portanto fica a critério de
interpretação saber a quem meu amor é letal.
Chama-me
atenção para essas presepadas da sua vida e eu fico completamente entediada. Quando um incômodo estaciona perto de você é como se fosse um vampirismo psíquico, naturalmente
você vai ficando cansada.
Essa
imprecisão do sentido das pessoas, que torna difícil ou às vezes impossível a
compreensão entre nós, decorre principalmente da falta de uma verdade jogada na
cara. É claro que, em certos contextos, meu amor intencional se impõe por si
mesmo como decorrência da própria natureza da minha pessoa. Que por si só
compete e ganha. Parece-me que todos voltaram com o rabo entre as patas pedindo
desculpa, eu esperei rancorosamente por vocês, esperei pelo momento que diria
um ‘’não’’ valioso.
A
luz do dia me apressa correndo no céu avisando que o tempo está acabando, e
nossas ocupações nos impedem de nos dedicarmos a esse sentimento que dói, mas
fica ali, quietinho, esperando uma hora de dormir pra descer e vir em agonia. Há
palavras que são mais específicas do que outras, e a linguagem de vocês está
vinculada a conceitos vagos e sujos, por isso, quando vocês se deparam comigo ficam de joelhos. Generalizações tornam
confusas as ideias, traduzem um incômodo típico da solidão. Mas mesmo assim, eu e você sabemos que nos amamos, independente dessas outras pessoas, nós temos nosso amor. E no final do dia estaremos em sintonia pensando juntos naquela chave vermelha em forma de coração.
2 de fevereiro de 2016
''Você é tão bonita, divertida, anima todo mundo que te cerca. Você é tão irônica, decidida, bem situada, inteligente, destemida. Você tem tudo para ser um modelo para tantas. Você é tão você. Aí você transforma seu único defeito em alguém exterior a si mesma. Seu único defeito é ele. Chego a imaginar o motivo e só consigo imaginar que é porque tu não se ama. Tanta gente gosta do seu ser, menos você... Menos você e ele.'' Ágatha Flora
9 de novembro de 2015
Tenha cobras em seus cabelos, ex-amigo
mas não me apedreje
Por cobras, veja o sereno
pequeno orvalho da noite,
essa tão engasgada que adentramos
com as mãos atadas na frente e nas costas!
E agora você me vem
com papas mil na língua
mil culpas alheias
coisa que não nos interessa...
Escolha é coisa simples
se te queres no escuro, sozinho
te atreles aos outros
outros poucos, passarão!
Coisa rápida. Mal chegam cabelos brancos,
passára!
Já dizia o poeta
"Ninguém sofre por amor
porque o amor existe
sem parar pelos universos
dos céus, das estrelas cósmicas
e na magia do ar"
"Formosa é a flor, esdrúxulo
é o coração." já dizia uma abelha.
É isso mesmo, ama-se sempre de memética
coisa rápida, ainda, rápida.
Tens quem veja de simples
relance passado, como quando sutilezas
ainda machucavam... a falta de coragem
era tal que crescemos.
Amor é como disco de vinil
requer coisa ultrapassada,
mecânica simples, algo volta,
A agulha ressurge, vem a tilintar
lado b, lado a, briga conjunta
de agentes nus, secundários...
Por secundário, veja quem interrompe,
algo que não funciona, prende a agulha
na faixa, escapa pra borda, risca,
faz barulho, estraga.
Estragarás assim um amor?
Vendo que outro, aquém, teme?
É temerário o amor?
Se descobre santo por outro(ouro)?
“Dê-me a patinha, sejei fofinho”
Vinde, ó da maioria que ama assim,
amar-te-ão aos montes! soturna-te-ão!
e vai assim, e vê se não se esquece!
29 de setembro de 2015
Na
toca fiquei quieta esperando a dor passar, paguei meus pecados depois de rezar
pedindo pra ir embora desse eu que não queria mais ser. Engoli inteira todas as
ladainhas que vieram me gritar, a seco, sem nenhuma cachaça pra descer melhor. Dosado
ás vezes de certo ardor ingênuo, em tom instintivo lento e fantasiado por um primarismo
limitado. Esse tipo de bote, quando manejado por iniciantes, torna-se monótono
e aperreante nas suas intermináveis orações de desespero por um desejo de
ganhar um nada sucessivo de vergonha que nem o vermelho mais vibrante do sol
que já se põe pode medir. E a ladainha se prossegue nessa inflexão, sem um só
ponto, ao longo de dias, num total de meses em que tentaram acertar minha
cabeça. As consequências para essas
pessoas obviamente foi deplorável, já que hipnotizada eu dancei a passos de
sanfona e rápido rebolei pra fora do cesto, trepei na cara de todos. Já fiquei
muito doida pra poder saber que nada vale esse passado cheio de infelicidade, e
meu ex-amor se atrasou na volta e na parada ficou para trás. Mas, num período
dessa vida, nem o esquecimento ajuda muito: é inútil jogar com fingimentos,
travessões, falsa amizade, porque a obscuridade continua. Esse é o defeito mais
peçonhento e mais comum resultante dos períodos sobrecarregados de avisos,
períodos que são verdadeiras novelas. Devíamos prestar menos atenção nas voltas
que o mundo dá pra não ficarmos enjoados e de quebra ter ressaca no outro dia,
de mal estar fica difícil ver clareza nas armadilhas desse terreiro. Eu me tornaria
sua e ninguém interromperia nossa promessa, debaixo dos lenções continuaríamos
nossas vaidades em ordem direta. Mas se sua escolha for roubar minha poesia e partir,
não caçarei essa história. Em terra de serpente, escorpião não levanta o rabo.
9 de setembro de 2015
Eu procuro viver outro amor
O seu nem sacia nem mata
Ocupa
Um lugar entre a epiderme e retina
Mas que o coração enjoa
E já bate agora
Por outra pessoa
- Ribamar Junior
3 de setembro de 2015
Para quem muito a pele arrepia
Não fecha o cu com coisa pouca
Saiba que pra tudo tem dó na vida
Dá dó
E com ódio, só dó foi sentido
Quem muito o nariz empina mostra meleca
A lombra prima da
estupidez
E tratado de idiota, assina!
No circo, ‘’uns circunstões’’ comem patifes
Engolem dores
Somente as lidas todas de um bobo
Que fátuo, feliz, flui a bastar-se de opiniões
30 de agosto de 2015
Valei-me, Deus
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei
Que amei, que amei, que amei
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei
Que amei, que amei, que amei
Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis
E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria
Nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
15 de agosto de 2015
9 de agosto de 2015
''O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu
minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus
cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu
nome.
O
amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e
metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus
sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor
de meus olhos e de meus cabelos.
O
amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas
aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus
exames de urina.
O
amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de
prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se
juntar em versos.
Faminto,
o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de
unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus
banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto
mas que parecia uma usina.
O
amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das
quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos
que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O
amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever
meu nome.
O
amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos,
botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e
que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as
conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam
sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O
amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a
maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das
plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras
vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana
cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por
não saber falar delas em verso.
O
amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de
adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão
asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as
futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O
amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu
verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.''
João Cabral de Melo Neto
2 de agosto de 2015
Eu
pensei que não fosse possível ficar pior, mas os dias estão passando e a cada
novidade eu respiro mais forte. O meu caminho é o recurso de expressão de que
me sirvo para dizer o que é que quero, e por mais que meu peito se rasgue nesse
momento, eu digo que não quero mais. Consiste, assim, numa fórmula triste
através da qual se exprime a essência de um remorso (objeto, ser, ideia). É,
portanto uma operação da alma em que se determina um destino que caracteriza um
adeus.
O amor é apenas o suporte, o encosto, que, despertando a
curiosidade da sua vítima, prendendo-lhe a atenção por mantê-la sempre em
suspenso, na expectativa de episódios futuros, deixa-nos fora de si. Ora, há
muito tempo, felizmente, já mudei a rota e por mais que eu sinta que nunca
havia amado tanto, no fundo eu bati o martelo alegando abandono. Seus olhos são
como o fundo do poço e nossas estradas chegaram a um desvio definitivo. Afirmar
algo de maneira sentenciosa e autoritária requer uma decepção de muita relevância,
ter certeza do desgosto que sinto me dá segurança.
Mas nem sempre eu consegui ficar sozinha e agora essa
nitidez (e também rigidez) me deixa intensa, sóbria e desacompanhada posso dar
voz ao que realmente desejo fazer, sem pressão de farsa amorosa nenhuma. E esse
resto de parágrafo encerra os corolários dessa conclusão. O que nos importa
aqui é buscar a paz, não necessariamente somos obrigados a encontra-la. Essa é sua carta de despedida daqui e de mim.
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Quem sou eu
- Maria Clara Rocha
- Clara.Idade: 19.Falar a verdade não careço de muita lógica. Ou de mim se gosta ou esquece. Por gosto mesmo ficava de papo pro ar. Mas o que me faz feliz e apetece é cheiro de vinho, cabelo lavado, de escrever poesia pulando os dias, de frapê e filme iugoslavo. Qualquer dia desses faço feito Santos Dumont e construo minha casa na árvore.
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“O que é pior: chegar ao fundo do poço ou continuar caindo?'' -Prá virar cinza minha brasa demora!-










