9 de setembro de 2015
Eu procuro viver outro amor
O seu nem sacia nem mata
Ocupa
Um lugar entre a epiderme e retina
Mas que o coração enjoa
E já bate agora
Por outra pessoa
- Ribamar Junior
3 de setembro de 2015
Para quem muito a pele arrepia
Não fecha o cu com coisa pouca
Saiba que pra tudo tem dó na vida
Dá dó
E com ódio, só dó foi sentido
Quem muito o nariz empina mostra meleca
A lombra prima da
estupidez
E tratado de idiota, assina!
No circo, ‘’uns circunstões’’ comem patifes
Engolem dores
Somente as lidas todas de um bobo
Que fátuo, feliz, flui a bastar-se de opiniões
30 de agosto de 2015
Valei-me, Deus
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei
Que amei, que amei, que amei
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei
Que amei, que amei, que amei
Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis
E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria
Nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
15 de agosto de 2015
9 de agosto de 2015
''O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu
minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus
cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu
nome.
O
amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e
metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus
sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor
de meus olhos e de meus cabelos.
O
amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas
aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus
exames de urina.
O
amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de
prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se
juntar em versos.
Faminto,
o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de
unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus
banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto
mas que parecia uma usina.
O
amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das
quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos
que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O
amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever
meu nome.
O
amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos,
botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e
que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as
conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam
sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O
amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a
maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das
plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras
vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana
cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por
não saber falar delas em verso.
O
amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de
adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão
asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as
futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O
amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu
verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.''
João Cabral de Melo Neto
2 de agosto de 2015
Eu
pensei que não fosse possível ficar pior, mas os dias estão passando e a cada
novidade eu respiro mais forte. O meu caminho é o recurso de expressão de que
me sirvo para dizer o que é que quero, e por mais que meu peito se rasgue nesse
momento, eu digo que não quero mais. Consiste, assim, numa fórmula triste
através da qual se exprime a essência de um remorso (objeto, ser, ideia). É,
portanto uma operação da alma em que se determina um destino que caracteriza um
adeus.
O amor é apenas o suporte, o encosto, que, despertando a
curiosidade da sua vítima, prendendo-lhe a atenção por mantê-la sempre em
suspenso, na expectativa de episódios futuros, deixa-nos fora de si. Ora, há
muito tempo, felizmente, já mudei a rota e por mais que eu sinta que nunca
havia amado tanto, no fundo eu bati o martelo alegando abandono. Seus olhos são
como o fundo do poço e nossas estradas chegaram a um desvio definitivo. Afirmar
algo de maneira sentenciosa e autoritária requer uma decepção de muita relevância,
ter certeza do desgosto que sinto me dá segurança.
Mas nem sempre eu consegui ficar sozinha e agora essa
nitidez (e também rigidez) me deixa intensa, sóbria e desacompanhada posso dar
voz ao que realmente desejo fazer, sem pressão de farsa amorosa nenhuma. E esse
resto de parágrafo encerra os corolários dessa conclusão. O que nos importa
aqui é buscar a paz, não necessariamente somos obrigados a encontra-la. Essa é sua carta de despedida daqui e de mim.
26 de julho de 2015
Meu caminho de volta a terra ficou confuso e não consigo meditar, o silêncio me deixa em agonia. Minhas paixões todas condensadas e minha
cara estampada nos dois lados da moeda jogada ao céu da sorte até saber o que
me espera nesse frio solitário. Eu tenho sede de outros tempos, a cada dia que
se segue meu medo aumenta assim como minha vida que dói e dói, mas na medida
errada e assim não é prazer que se leva. Eu bagunço uma esperança sofrida que
já não faz mais sentido, viro e desviro pensando, não sei se deveria, mas eu
acreditei em tudo que você disse e se era a intenção deixar morrer devo-lhe as felicitações.
11 de junho de 2015
3 de junho de 2015
A engenharia venceu o amor. O cálculo superou a superstição. A prevenção arrebentou o romantismo. Nem Paris mais acredita no amor. Nem mais Paris.
A cidade terminou com a tradição dos apaixonados de colocar um cadeado de seu romance na Ponte des Arts. O medo de que a construção pudesse desabar desfez o segredo de tantas juras, de tantos nomes devotados. Sem piedade, foram retiradas 45 toneladas de cadeados perpetuadas por uniões arrebatadas, por casais fulminados pelo desejo de passar o resto do seu tempo com alguém.
A cidade de luz virou a cidade das sombras. Tal ladra traiçoeira, armada de alicates e serras elétricas, arrebentou as promessas de vida eterna de seus moradores e turistas. Não tinha a chave e a permissão para destruir as palavras de metal, para amaldiçoar o voto de fidelidade e lealdade. Não desfrutava de autorização para separar duas bocas se guardando. Invadiu a privacidade do enlace, o território do inefável, o mistério de uma noite estrelada.
Paris roubou o coração de milhões de pares ingênuos e crédulos. Traiu a natureza mineral de sua arte, já que a capital francesa é feita do bronze do Rodin. Derrubou uma árvore de barcos, carregada de frutos dourados. Derreteu alianças desprezando o próprio altar que criou. Estornou beijos e abraços sussurrados, cuspiu de volta as palpitações e os rumores do rio Sena.
Paris raspou o mel da lua, desidratou o sol, rompeu as trancas da fé.
Não existem atenuantes para o crime. Não vale trocar os gradis por placas ou campanhas de selfie.
O ato é de uma violência simbólica imperdoável. Como se a Fonte da Saudade arremessasse de volta todas as moedas depositadas em suas águas nas costas de seus fiéis.
Nem Paris dos cupidos e anjos nos altos dos prédios confia mais no casamento.
Talvez nunca tenha entendido o sentido de amar: o amor pesa, destrói pontes, deixa os amantes realmente ilhados. E isso jamais foi uma metáfora.
Fabrício Carpinejar
1 de junho de 2015
29 de maio de 2015
De um cawboy arretado eu me
vi sem excessos, estava Maria Bonita sem seu Lampião, mas, não perdi a fé. Eu dancei
ao som de desagradáveis discotecagens, fui e voltei, esperei sentada na calçada
sua sombra aparecer vindo ali na esquina, mas acabei ficando na cruz. Meu
suicídio é uma farsa. Eu fiquei decepcionada e continuo em busca de tal alegria
que tantos quartetos e sextetos urgem pelos corações. Eu desgosto desse lugar
escuro que todo mundo vive um pouco, eu nem mais discuto nem me preocupo e cada
dia sua figura é mais distante dentro de mim. Vem em ondas de desconforto e vai
devagar ser tempestade em outras praias. Seremos para sempre testemunhas de
desilusão. Eu hoje já fui só, e espero uma dose da poção do amor.
24 de maio de 2015
Talvez os meus aliados já
estivessem prevendo tudo isso que está acontecendo, essa condolência. Eles não
precisaram se preparar, nem escrever discurso e tampouco me dar lição de moral.
Naturalmente arriscaram juízo para os meus futuros passos. Sentiram: choraram,
ignoraram, mentiram, foram realistas, foram meus. E com certeza isso é
no mínimo formidável. Esse amor que num grupo disponibiliza o peito e o afago,
que te beija e abraça. Há alguns mais próximos em que consequentemente sofrem em grau superior, esses levam o pé na bunda junto com você e ainda conseguem fazer piada
numa madrugada de um telefonema de duração equivalente há três horas. Os outros
são investigadores dos saberes alheios, e assim, acabam descobrindo as memórias e isso
pode ocasionar em mais ajuda ou não, de qualquer modo tem os seus significados.
Eu tenho sorte de ter amantes tão presentes nos meus pedidos de socorro, meus
amigos são amantes porque os amo.
15 de maio de 2015
Que descuido meu,
Pisar nos teus espinhos.
É essa mania minha
De olhar pro céu,
Com a cabeça ao léu
Pisar nos teus espinhos.
É essa mania minha
De olhar pro céu,
Com a cabeça ao léu
Voando sem asa,
Vez ou outra esbarro
Nos móveis da casa
E outra vez tropeço
Vez ou outra esbarro
Nos móveis da casa
E outra vez tropeço
Nos próprios caminhos
Que descuido meu,
Pisar nos teus espinhos.
Que descuido meu,
Pisar nos teus espinhos.
- Juliano Holanda
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Quem sou eu
- Maria Clara Rocha
- Clara.Idade: 19.Falar a verdade não careço de muita lógica. Ou de mim se gosta ou esquece. Por gosto mesmo ficava de papo pro ar. Mas o que me faz feliz e apetece é cheiro de vinho, cabelo lavado, de escrever poesia pulando os dias, de frapê e filme iugoslavo. Qualquer dia desses faço feito Santos Dumont e construo minha casa na árvore.
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“O que é pior: chegar ao fundo do poço ou continuar caindo?'' -Prá virar cinza minha brasa demora!-










